29 de mai de 2009

Alaska, Primeiras Impressoes


Existe uma palavra em inglês que descreve exatamente como eu me sentia dentro daquele minúsculo avião: awe. Algumas pessoas traduziriam como deslumbramento, outros como admiração. Naquele momento, eu sentia uma mistura dos dois. Era como se eu estivesse em outro mundo. "Pera ai!" Eu estava em outro mundo: o mundo congelado da cadeia montanhosa Chugach, no Alaska!
A cadeia Chugach fica no sul do Alaska, perto do Pacífico. Seu nome vem de uma tribo esquimó, os Chugachmiut. É o local do mundo onde mais se neva anualmente, com uma média de mais de 1500cm! Esse link da uma idéia da sua extensão e localização: http://maps.google.com/maps?f=q&source=s_q&hl=en&geocode=&q=chugach+mountains,+alaska&sll=61.689872,-148.597641&sspn=0.10111,0.361862&ie=UTF8&ll=61.429574,-147.488708&spn=1.631387,5.789795&t=h&z=8

Estávamos percorrendo as milhas que nos separavam do nosso primeiro acampamento no glaciar em um aviãozinho que mais me amedrontava do que qualquer outra coisa. Ele voava entre as montanhas e não sobre elas para economizar combustível. Depois de um tempinho, me acostumei com seu barulho e comecei a apreciar ainda mais as paisagens maravilhosas que iam surgindo. Víamos lá em baixo os rios congelados cortando e cavando os vales e formando o caminho que iríamos percorrer dentro de alguns dias. Estava deslumbrada com as montanhas que surgiam a cada segundo e que mostravam um mundo completamente distinto do meu. Em vez do verde da Mata Atlântica, era o branco da neve que cobria as montanhas. O bonito granito da Serra dos Órgãos foi substituído por uma rocha friável e podre que nem eu gostaria de escalar, mas que acentuava o contraste entre o céu azul anil e o branco resplandecente da neve.
No Alaska é isso que temos, basicamente três cores: azul, branco e preto. Mas as vezes, nem isso, pois baixa uma tempestade ou nevoa e tudo fica branco, nos tirando a perspectiva da onde e neve e onde e nevoa.
Enquanto o avião se aproximava, eu continuava a analisar o que me esperava pela frente, até que me apontaram uns pontos pretos lá em baixo, no meio do branco do glaciar que pareciam pedras, mas que eram, na realidade, nossos companheiros de expedição. Pronto, era isso! Estávamos ali no nosso primeiro destino: o glaciar Nelchina, um imenso branco circundado por lindas montanhas.

O avião pousou e decolou e nos ficamos ali saboreando o fato de estarmos sozinhos no meio das montanhas. Mas o trabalho nos esperava, precisávamos montar nosso acampamento. 4 horas cavando muita neve para construir a cozinha, banheiro e parede de vento ao longo da barraca e pronto, podemos descansar.

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