29 de mai de 2009

Mount Valhalla, Alaska

Tomava um chá bem quentinho quando uma gota caiu de meu copo na minha calça e imediatamente congelou.
Todo dia acordávamos com nossas águas congeladas dentro das garrafas. Somente conseguimos ter água em estado liquido na manha quando colocamos as garrafas entre nossos sacos de dormir. Fazia muito frio e no dia seguinte íamos escalar o Mount Valhalla e tudo que eu queria era entrar no meu saco de dormir para me aquecer o máximo possível. o para nosso acampamento.
Valhalla na mitologia nórdica é o local onde alguns guerreiros vikings, escolhidos pelo deus Odin, eram recebidos após terem morrido, com honra, em batalha. O Mount Valhalla é uma pirâmide de pedra com 3699 metros e diversas faces nevadas e é cercado pelos Glaciares Nelchina, Columbia e Harvard, no Alaska.
Acordamos as 6 da manhã com um vento surreal que aliado ao frio que estava, deixava nossa disposição tão baixa quando a temperatura daquela alvorada. Adiamos nossa escalada para o dia seguinte, que amanheceu sem uma nuvem no céu e vento quase zero. Era o dia perfeito! Colocamos nossos esquis e subimos para a base do primeiro desafio do dia: uma headwall de 180 metros e 50o de inclinação. A primeira cordada foi na frente e descobriu uma parede totalmente congelada, o que atrasou bastante nosso avanço. Mas chegamos ao colo e dali partimos para uma linda crista de mais ou menos 1.5km, que nos levaria ao cume do Valhalla. Eu no meio da corda, não guiei nada, mas me divertia com cada metro conquistado.
No início, a crista não apresentou muito trabalho, mas na medida que ganhávamos altitude, as dificuldades foram se apresentando maiores. A qualidade da neve alterava entre ótima para proteção e “nem tão boa assim”. 3 horas mais tarde, lá estávamos nós, numa linda crista, eu no meio de uma cordada, a 3.600m de altitude. O vento gelado tocava a nossa espinha e nos deixava tremendo de frio, isso mesmo com um céu de brigadeiro de tão azul e sem nuvem. Ainda nos encontrávamos a 500 metros do cume e todos se encontravam exaustos e os metros finais se mostravam como os mais difíceis do dia, com uma crista muito fina e uns 10 ou 20 metros bem verticais com gelo azul, azul. Eu que não havia guiado nada estava tranqüila para continuar, mas ninguém mais queria subir.
Demos meia volta e iniciamos nossa longa descida, que se demonstrou mais longa e trabalhosa do que pensávamos. Descer a headwall foi desafiante, o sol já não nos aquecia e o vento era constante e frio. A temperatura caia a cada segundo e nós nos movimentávamos com danças e pulos para nos aquecer. Ao mesmo tempo, nos mantínhamos alerta aos procedimentos que nos deixavam seguros.
Chegamos de volta ao acampamento cerca de 1 hora da manhã, com frio, fome e sono. E assim, voltei do Alaska sem nenhum cume, mas com muito aprendizado.

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